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Crítica: Agent Carter

by on março 1, 2015
 

Enquanto a Marvel já estabeleceu com firmeza seu espaço no cinema, a Casa das Ideias ainda realiza seus primeiros passos na TV junto a ABC. Após encontrar seu caminho em Agentes da SHIELD depois de um começo aquém do esperado, a empresa inicia sua nova empreitada aproveitando o meio da segunda temporada da série de Coulson, com a série Agent Carter. Texto com SPOILERS!!!

O seriado parte dos eventos pós Capitão América: O primeiro Vingador, onde Peggy Carter é agente da SSR (Strategic Scientific Reserve – representando os primórdios do que virá a ser a SHIELD), porém no pós guerra suas tarefas se tornaram “diferentes”, limitando-se a um papel de secretária e simples afazeres. Mas Carter vê uma possibilidade de mostrar seu verdadeiro potencial ajudando Howard Stark a provar sua inocência, após ser acusado de traição por vender armas para o inimigo.

A estrutura da trama e seu desenvolvimento seguem a fórmula básica Marvel estabelecida até então, com um enredo simples e bem construído, e no caso alinhado a um clima leve de espionagem e muita ação. Mas o destaque fica mesmo pelo ritmo constante e o sem variações durante todo o show. Fato esse favorecido por conter apenas 8 capítulos, ficando fácil notar que todos os eventos tem um fim específico e giram em torno de uma premissa delineada, ou seja, nada de “vilão da semana” e possíveis fillers que desviem o foco da história principal.

Outro ponto positivo foi a ambientação. Todos os cenários e figurinos, misturam um pouco do tom de filmes noir com uma Nova York dos anos 50, ajudam a compor uma atmosfera que transporta o expectador para aquele contexto histórico a cada cena – com direito a até um programa de rádio transmitindo uma novelização das aventuras do Capitão América.

Jarvis, Stan Lee, Carter e Howard Stark. Celebrando o encontra de um dos pais do universo Marvel

Retornando ao seu papel de Peggy Carter, Hayley Arwell se mostra totalmente em sintonia com a personagem. Sua atuação e segura e convincente conseguindo se adaptar perfeitamente as cenas de ação e diálogos rápidos e até humor. Apesar de a história se centrar nela, o seu principal parceiro, Edwin Jarvis (interpretado por James D’Arcy) também não faz feio, atuando como o mordomo de Stark. Ele se encaixa bem na figura de um perspicaz, bem humorado e principalmente educado (a conhecida educação inglesa) – que posteriormente serviu como base para a inteligência artificial de Tony Stark. Os demais personagens, entre eles Howard Stark, aparecem menos na tela, mas conseguem deixar também sua contribuição positiva até o final da série.

Mesmo compatível com o padrão cultural da época, ficou exagerado a tamanha ênfase da trama sobre o papel da mulher na década de 50 – retratando principalmente pelo preconceito sofrido por Peggy junto aos demais agentes da SSR – ainda mais porque Carter já ocupava posição importante dentro do exército britânico durante o longa do Capitão América. Então esse rebaixamento pareceu forçado para que posteriormente fosse usado como degrau para explorar essa realidade feminista e sua posterior ascensão da protagonista.

Outra coisa incomoda foi a representação da SSR. A ideia de ter uma faixada de central telefônica é bacana, tendo em vista ser um órgão de inteligência secreto, porém para por ai. De resto, essa pré-SHIELD lembra uma simples agência de polícia, sem quase nenhum diferencial, mesmo a divisão de tecnologia é algo totalmente sem graça.

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Dr. Faustus fez literalmente barba, cabelo e bigode para aparecer em Agente Carter.

Assim como as demais obras da Marvel, Agent Carter também estabelece algumas interligações com o universo compartilhado (MCU – Universo cinematográfico Marvel). Fora os personagens já descritos, ao longo da trama nos deparamos com: uma curtíssima aparição do Comando Selvagem (principalmente em Dun Dun Dugan); o bacana background do projeto russo de treinamento de agentes – ligando a figura da Viúva Negra; e por fim o vilão Doutor Faustus e suas técnicas de hipnotismo, que depois encontra em sua cena final com Arnim Zola – sugerindo que foi com sua colaboração que desenvolveram o método hipnótico no Soldado Invernal.

De modo geral o seriado segue a fórmula dos filmes da Marvel, ou seja, uma história simples mas consistente.  O maior desafio era transformar Peggy Carter de um mero interesse romântico em uma heroína que se sustentasse sozinha, e graças a trama e atriz eles conseguiram, mas ainda fica a sensação que o universo da TV ainda é apenas um “extra” do conteúdo do cinema.

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