Sim do fundo do baú, mas é bom, leia e confira.
“A Era Do Rádio” (“Radio Days” no original, 1987) é um filme batuta que funciona como uma viagem no tempo, para a década de quarenta, utilizando-se do rádio como elemento transformador na vida dos personagens. A produção é narrada pelo próprio diretor, Woody Allen, que fala sobre suas memórias da era dourada do rádio, interligando esses fatos com sua infância e os casos de sua família judia. Todos os eventos do filme são relacionados com algum acontecimento que fora transmitido pelo rádio.
A infância do cineasta é marcada pelo seu “quase crime” (só vendo para crer no nível de paranoia do sujeito), coletar doações para “salvar” a Palestina, as muitas broncas que levava por ouvir o rádio em volume elevado e outras trapalhadas. Também é mostrado no filme a queda de uma garota em um poço, fato que comoveu os Estados Unidos, a entrada dos EUA na Segunda Guerra, as tentativas de uma das tias de adquirir um marido e muitas outras confusões (momento “Sessão da Tarde”). São tantos personagens e tantos pontos de vista que fica a sensação que o filme poderia focar um pouco mais, todavia não é nada tão prejudicial.
É possível ver qual era a importância do rádio nesse período, exemplo disso são os bordões que eram ditos por todos e suas músicas criavam modas, como as cantadas por Carmen Miranda, que em certa altura do filme são cantaroladas pela família do diretor. O que era veiculado pelas ondas do rádio era tido como verdade, como visto no caso da invasão alienígena narrada por Orson Welles. A invasão é considerada como verídica e gera uma cena engraçada entre a tia solteirona de Woody Allen e seu namorado da época.
O filme tem uma narrativa leve, mas por ser todo costurado pela narração do diretor, em certos momentos ocasiona umas forçadas de barra para prosseguir a história, mas tá valendo. O clima de nostalgia e a mistura de fatos, verídicos, importantes da época, informações sobre os bastidores do rádio e a infância do jovem Allen tornam “A Era Do Rádio” em uma obra obrigatória para aqueles que curtem ver costumes e acontecimentos do passado. Woody Allen no final chega a mesma conclusão que Fellini: “O que acontece não é nem um pouco tão importante do que como você se lembra do fato”.