Nos últimos dias a Nintendo apresentou ao seu grupo de acionistas sua última demonstração de resultados, e pelo terceiro ano seguido a empresa amarga prejuízos. Tal acontecimento acendeu uma luz vermelha dentro da cúpula da Big N, inclusive quase gerando a saída do presidente Satoru Iwata, que consciente da situação financeira adversa, reduziu os salários de altos funcionários, inclusive o seu próprio e de figuras como Shigeru Miyamoto.
Esses resultados geraram medidas imediatas dentro da Nintendo, com mudanças significativas para curto e o longo prazo, que vão desde adotar nova postura até diferenciar seu de foco de produtos. Os principais anúncios foram:
– Facilitar e aumentar o licenciamento dos personagens Nintendo para uma maior gama de produtos além dos jogos, ou seja, espere para ver cada vez mais produtos com Mario, Pikachu, estampados em canecas, almofadas, bonecos e etc. Segundo Iwata o controle sobre os personagens é realizado de modo excessivamente conservador, sendo perfeitamente possível ampliar a sua utilização junto a empresas parceiras sem prejudicar a sua imagem – tendo apenas que manter altos padrões de qualidade e escolhendo os segmentos adequados de produtos.
– Um dos outros focos é oferecer produtos que visem melhorar a qualidade de vida das pessoas através do entretenimento. Segundo Iwata esse é um mercado pouco explorado e com grande potencial para os próximos anos. Mais informações devem ser divulgadas em breve. Podem esperar por produtos similares ao Wii Fit….
– Iwata também afirmou que pretendem lançar aplicativos para smartphones, com o intuito de promover seus jogos e produtos através de “experiências divertidas”. Mas afirmou que por enquanto está descartada qualquer chance de jogar Super Mario em seu smartphone.
– Criar uma política de vantagens para jogadores que realizam compras regulares de jogos. Esse programa de fidelidade ofereceria descontos e recompensas para compradores assíduos, criando assim uma diferenciação que não existe hoje em dia na loja virtual da Nintendo. Com Isso Iwata visa o ganho na quantidade de jogos vendidos sobre um preço mais atrativo. Porém tais vantagens não estarão restritas a grandes compradores, mas também aqueles que joguem muito online com outras pessoas e mantém a alta taxa de uso da plataforma.
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A meu ver a Nintendo com o Wii U tentou seguir a lógica de seu antecessor, desenvolvendo um console inovador, tendo como trunfo um controle diferenciado e seguiu a tendência dos tablets que estão em alta. O problema que cometeu graves erros nessa fase inicial.
Primeiramente no nome “Wii U”, que teve como clara intenção remeter o sucesso do console anterior, acabou trazendo mais confusão do que vantagens. Na apresentação o nome e o fato deles praticamente esconderam o console em si, já gerou dúvida na imprensa especializada, então não era de se estranhar que isso também acontecesse com o público geral. E foi exatamente isso que aconteceu, segundo pesquisas grande parte dos consumidores até hoje vê o Wii U como um sistema de expansão do Wii, e não um console novo. Além disso tudo também teve um marketing de divulgação menos expressivo comparado ao do Wii.
Segundo, foram poucos e fracos títulos lançados junto com o console. Inclusive repetindo um erro que já haviam cometido com o 3DS. E também a contínua falta de apoio das thirds, que mantém o desenvolvimento dos seus jogos praticamente exclusivamente para as plataformas da Sony e Microsoft. A qualidade dos jogos da Nintendo é inquestionável, mas mesmo na época do excepcional Snes, fica evidente que um console não consegue sobreviver apenas de seus exclusivos, e a Nintendo veio relegando as parcerias com as thirds há anos, e isso atualmente é um imenso problema.
E por último, o seu controle com tela, que seria o seu principal diferencial se mantém subutilizado na maioria dos jogos. Mesmo a Nintendo reconheceu recentemente tal fato e revelou que vem produzindo jogos que irão aproveitar todo o potencial do controle, e servirão de exemplo para as outras desenvolvedoras… antes tarde do que nunca.
Com o Wii a Nintendo teve um “boom” de vendas nos primeiros anos de vida do console, principalmente com o público casual, só foi perdendo o folego quando o Xbox 360 e Ps3 foram se firmando. Mas o mesmo não aconteceu com o Wii U, que não despertou tanto interesse logo no lançamento, e não conseguiu emplacar até hoje.
Na verdade o caminho a Nintendo é complicado, mas 2014 já mostra acertos consideráveis e possíveis para uma recuperação, com lançamentos de bons títulos como: Donkey Kong Tropical Freeze, Mario Kart 8, Super Smash Bros, Bayonetta 2. Também é dito que na E3 desse ano um Zelda e Mario de peso serão mostrados e que ambos já estão em avançado estágio de desenvolvimento. Agora é esperar por dias melhores para a gigante japonesa.