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Crítica de G I R L – Novo álbum de Pharrell Williams (2014)

by on fevereiro 26, 2014
 

2013 viu Pharrell Williams subir ao olimpo dos artistas celebrados de um dia para o outro. Foi o cantor da música do ano em muitas listas, a “Get Lucky” da dupla Daft Punk e fez dupla com Robin Thickle na grudenta conga bizarra “Blurred Lines”. Sem contar que também emplacou o single “Happy” ainda em 2013. Ano passado foi um bom ano para Pharrell.

E claro que o cara não quer viver só de participação em projeto dos outros ou de apenas uma música nova. O produtor musical, cantor, rapper, compositor e estilista lança agora no começo de março o álbum G I R L. Aliás, fazia quase oito anos desde que Pharrell Williams lançou um álbum solo, In My Mind, e as coisas mudaram muito de lá pra cá. Seu álbum anterior era recheado de rappers, Snoop Dogg, Nelly e Jay-Z davam as caras. Agora temos no lugar deles Justin Timberlake, Miley Cyrus e Alicia Keys. Nada de rappers, com exceção do próprio Pharrell.  Será que a maré de bonança do artista multitalentoso continua?

O álbum não tem nada das batidas pesadas ou letras de ostentação, agressividade ou críticas sociais dos raps. Aqui é tudo numa batida para cima, positividade e num clima de balada. Todas as músicas são no estilo downtempo, ou seja, com ritmos mais espaçados que são preenchidos por linhas melódicas e harmônicas mais breves.

A outra qualidade desse álbum é sua valorização da mulher, além do sexual, ao contrário de seu trabalho com Robin Thickle em “Blurred Lines”. Não é um discurso feminista, mas bem mais respeitoso do que muita coisa no mercado. A música de abertura “Marilyn Monroe” fala de várias mulheres fodásticas, contudo nenhuma delas se compara com a peguete atual dele. Já em “Brand New” Pharrell e Timberlake ficam agradecendo a suas damas por fazerem eles se sentirem “como se a etiqueta ainda estivesse nele”, e a babação de ovo continua em “It Girl”, essa discutida mais a frente, e “Lost Queen”.

Quando Pharrell Williams não esta fazendo discurso de como as mulheres fazem ele se sentir bem emocionalmente, o cara gosta de falar de como elas fazem o sentir fisicamente. Justo. “Hunter” é o mais parecido com seus trabalhos na época do grupo N.E.R.D (No one Ever Really Dies, Ninguém nunca morre de verdade, e não um cara viciado em cultura pop ou algo do tipo), sendo a mais agressiva e direta ao ponto do álbum. “Gush” também segue essa linha do N.E.R.D, com a inclusão de um baixo matador.

Daft Punk retorna o favor da parceria de Get Lucky em “Gust Of Wind” que parece ter saído diretamente do álbum Random Acess Memories da dupla eletrônica, sendo uma faixa que se destaca de tom e qualidade em relação às outras. Contudo a maior surpresa do álbum é a contribuição de Hans Zimmer. Sim, o compositor de trilhas clássicas do cinema como A Origem, Batman: O Cavaleiro das Trevas e o vindouro O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, por sinal a trilha desse última é feita pela dupla Pharrell e Zimmer. Voltando em “Gust Of Wind”, a orquestra que abre a música foi feita pelo compositor. Uma participação de apenas 30 segundos, mas de respeito.

A colaboração de Miley Cyrus não estraga o álbum, ao contrário do que essa artista faz com sua imagem pública. Sua parceria com Pharrell em “Come Get It Bae” (Bae não é um erro, é uma sigla para Before Anyone Else), é dançante e tem uma mistura interessante de palmas com vozes em loops contínuos.

“I Know Who You Are” com Alicia Keys traz um pouco do sabor musical do ska (gênero musical com elementos caribenhos, como o mento e o calipso, e estadunidenses, como o jazz e o blues). Alicia Keys canta de maneira comovente, ela e Pharrell Williams conseguem colocar sinceridade e emoção na música mais bela do álbum.

Em “It Girl” Pharrell continua sua ode a suas musas.  Pharrell ama as mulheres, especialmente quando ele consegue transar com elas. A sexualidade é forte nessa faixa, com linhas como “your waves wash all over me”, essa aqui é uma música para a sedução. Como as damas inspiraram ele a criar esse álbum, nada mais justo que fechar esse trabalho com mais homenagem ao sexo feminino.

O álbum é bem seguindo a linha dos hits Get Lucky e Happy, o single feliz do ano passado também está nessa compilação. São músicas descontraídas, para espairecer e dançar sem compromisso. Caso você seja fã de Pharrell Williams das antigas, acho que não achará bem o que procura aqui. Esse álbum é cheio de músicas com potenciais de hits e para entrar na lista de melhores de 2014 de muita gente. Não se surpreenda de escutar essas 11 músicas o tempo inteiro de março em diante. G I R L é uma obra prima da diversão passageira e intensa.

Nota: 4/5

Confira o álbum logo abaixo e tire suas conclusões.

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